ISTs: HPV, Herpes e HIV

Conheça as principais infecções sexualmente transmissíveis — como são transmitidas, o que causam no organismo e como se proteger.

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Agente Causador

Papilomavírus Humano — mais de 200 tipos, sendo ~40 transmitidos sexualmente

Transmissão

Contato pele a pele durante relação sexual (vaginal, anal ou oral)

Prevenção

Vacina HPV (gratuita no SUS) e uso de preservativo em todas as relações

Tratamento

Não há cura para o vírus, mas as lesões e verrugas têm tratamento eficaz

O que é o HPV?

O Papilomavírus Humano (HPV) é o vírus responsável pela infecção sexualmente transmissível mais prevalente no mundo. A maioria das pessoas sexualmente ativas entra em contato com o vírus em algum momento da vida.

Existem mais de 200 tipos de HPV classificados em:

  • Baixo risco oncogênico (tipos 6 e 11): causam verrugas genitais (condiloma acuminado) — não viram câncer
  • Alto risco oncogênico (tipos 16 e 18): responsáveis por cerca de 70% dos cânceres de colo do útero, além de cânceres de ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe

A maioria das infecções por HPV é eliminada pelo sistema imunológico em 1 a 2 anos sem causar sintomas. Porém, quando o vírus persiste, pode provocar lesões pré-cancerosas.

Como o HPV é transmitido?

  • Relação sexual vaginal, anal ou oral com pessoa infectada
  • Contato pele a pele na região genital — mesmo sem penetração
  • O preservativo reduz o risco, mas não elimina totalmente (o vírus pode estar em áreas não cobertas)
  • Transmissão da mãe para o bebê durante o parto (rara)
  • Não é transmitido por abraços, vasos sanitários ou objetos do dia a dia

Sintomas e consequências

Na maioria dos casos, o HPV não apresenta sintomas visíveis. Quando há manifestações, as mais comuns são:

  • Verrugas genitais (condiloma): lesões em formato de couve-flor nos genitais, ânus ou boca — causadas pelos tipos 6 e 11
  • Lesões pré-cancerosas: alterações celulares detectadas no exame de Papanicolau (preventivo)
  • Câncer: colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e orofaringe — causados pelos tipos 16 e 18

Mulheres: o exame de Papanicolau (preventivo) detecta precocemente lesões causadas pelo HPV. Realize o exame regularmente, conforme recomendação médica.

Prevenção e Vacina

  • Vacina HPV: gratuita no SUS para meninas (9–14 anos) e meninos (11–14 anos). Também disponível em clínicas para outras idades
  • Preservativo: use em todas as relações sexuais — vaginal, anal e oral
  • Exame preventivo: mulheres devem realizar o Papanicolau regularmente
  • Reduzir parceiros: menor exposição = menor risco

A vacina HPV é altamente eficaz — protege contra os tipos mais perigosos do vírus. É mais efetiva quando tomada antes do início da atividade sexual, mas beneficia em qualquer idade.


Agente Causador

Herpes Simplex Vírus tipo 1 (HSV-1, labial) e tipo 2 (HSV-2, genital)

Transmissão

Contato direto com lesões, saliva ou secreções genitais de pessoa infectada

Prevenção

Preservativo e evitar contato com lesões ativas. Não há vacina disponível

Tratamento

Antivirais (aciclovir, valaciclovir) controlam surtos — não há cura definitiva

O que é a Herpes?

A herpes é causada pelo vírus Herpes Simplex (HSV), que tem dois tipos principais:

  • HSV-1 (herpes labial): causa bolhas ("feridas") nos lábios e ao redor da boca. Muito comum — estima-se que 67% da população mundial carregue o vírus
  • HSV-2 (herpes genital): afeta principalmente os órgãos genitais, nádegas e coxas. Transmitido principalmente por via sexual
  • Cruzamento: o HSV-1 pode causar herpes genital pelo sexo oral, e o HSV-2 pode afetar a boca — ambos os tipos podem infectar qualquer região

Após a infecção inicial, o vírus fica latente nos gânglios nervosos e pode reativar ao longo da vida, provocando novos surtos.

Como a Herpes é transmitida?

  • Herpes labial: contato com saliva infectada, beijo na boca, compartilhar utensílios (copos, talheres) durante o surto ativo
  • Herpes genital: relação sexual vaginal, anal ou oral com pessoa infectada — mesmo sem lesões visíveis (transmissão assintomática)
  • Da mãe para o bebê: durante o parto, se houver lesão ativa no canal vaginal — pode ser grave para o recém-nascido
  • Autoinoculação: tocar a lesão e depois tocar outras partes do corpo (ex: olhos) pode espalhar o vírus

Atenção: A pessoa com herpes pode transmitir o vírus mesmo sem apresentar sintomas visíveis — período chamado de "eliminação viral assintomática".

Sintomas

Os sintomas variam entre o primeiro surto (geralmente mais intenso) e os surtos recorrentes:

  • Fase inicial (pródromo): coceira, ardor, formigamento ou dor na área afetada — surgem horas a dias antes das lesões
  • Vesículas (bolhas): pequenas bolhas cheias de líquido claro, que coçam e ardem — depois rompem e formam úlceras
  • Feridas: úlceras rasas e dolorosas que cicatrizam em 7 a 14 dias sem deixar cicatriz
  • Primeiro surto: pode vir acompanhado de febre, dor de cabeça, mal-estar e ínguas (linfonodos aumentados)
  • Herpes labial: bolhas ao redor dos lábios — conhecidas popularmente como "fogo selvagem"
  • Herpes genital: lesões na vulva, vagina, colo do útero, pênis, ânus ou nádegas

Fatores que desencadeiam surtos: estresse, imunidade baixa, sol excessivo, menstruação, febre ou cansaço extremo.

Prevenção e Tratamento

  • Preservativo: reduz o risco, mas não elimina — o vírus pode estar em áreas não cobertas
  • Evitar contato com lesões: não beijar ou ter relações sexuais durante surtos ativos
  • Antivirais supressivos: uso diário de aciclovir ou valaciclovir reduz frequência dos surtos e risco de transmissão
  • Gestantes: informar o médico — pode ser necessário parto cesariano se houver lesão ativa

Ter herpes não impede uma vida sexual saudável. Com informação, tratamento adequado e cuidados com o parceiro, é possível conviver bem com o vírus.


Agente Causador

HIV — Vírus da Imunodeficiência Humana (retrovírus)

Transmissão

Sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno de pessoa infectada sem tratamento

Prevenção

Preservativo, PrEP (profilaxia pré-exposição) e PEP (pós-exposição) — disponíveis no SUS

Tratamento

Antirretrovirais (TARV) — controlam o vírus, permitindo vida longa e saudável

HIV e AIDS — Qual a diferença?

São conceitos diferentes, mas relacionados:

  • HIV: é o vírus que causa a infecção. Uma pessoa pode viver anos com HIV sem desenvolver AIDS, especialmente com tratamento
  • AIDS: é o estágio avançado da infecção pelo HIV, quando o sistema imunológico fica muito comprometido e surgem doenças oportunistas graves
  • Com tratamento: pessoas que vivem com HIV e fazem uso correto dos antirretrovirais não desenvolvem AIDS e têm expectativa de vida próxima à da população geral

Indetectável = Intransmissível (I=I): pessoas em tratamento com carga viral indetectável não transmitem o HIV pelo sexo. Isso é respaldado pela ciência.

Como o HIV é transmitido?

  • Relação sexual sem preservativo: anal (maior risco), vaginal e oral (menor risco)
  • Compartilhar seringas ou agulhas: uso de drogas injetáveis com material contaminado
  • Transmissão vertical: da mãe para o bebê durante a gravidez, parto ou amamentação — evitável com tratamento
  • Transfusão de sangue contaminado: raro atualmente com os controles do sistema de saúde

O HIV NÃO é transmitido por: abraços, beijos secos, apertos de mão, tosse, espirro, compartilhar banheiros, piscinas ou objetos do dia a dia.

Sintomas e Fases da Infecção

  • Fase aguda (2–4 semanas após infecção): febre, cansaço, dor de garganta, ínguas, manchas na pele — sintomas semelhantes à gripe; muitas pessoas não percebem
  • Fase assintomática (meses a anos): o vírus multiplica lentamente, sem sintomas visíveis — mas a pessoa pode transmitir o HIV
  • AIDS (fase avançada): CD4 abaixo de 200 células/mm³ — surgem infecções oportunistas graves: pneumonia, tuberculose, toxoplasmose, meningite, tumores

Teste é fundamental: muitas pessoas não sabem que têm HIV. O diagnóstico precoce salva vidas. O teste é gratuito, rápido e sigiloso nas UBSs e postos de saúde.

Prevenção

  • Preservativo (camisinha): masculino e feminino — método mais eficaz acessível a todos
  • PrEP (Profilaxia Pré-Exposição): comprimido tomado diariamente por pessoas com maior risco — disponível gratuitamente no SUS
  • PEP (Profilaxia Pós-Exposição): medicamento tomado em até 72h após exposição de risco — disponível nas UPAs e hospitais do SUS
  • Não compartilhar seringas: use sempre material estéril e descartável
  • Testar regularmente: quem tem vida sexual ativa deve se testar para o HIV ao menos uma vez por ano

Viver com HIV hoje, com acesso ao tratamento, é compatível com uma vida plena, saudável e com relacionamentos afetivos e sexuais. O estigma é o maior obstáculo — combata-o com informação.